Concentração máxima no objecto desconhecido,
O medo inutilmente tapado de mostrar que ainda me choca saber de ti
Mentiras que digo sem esconder a verdade
Verdades que digo cobertas de mentira
Fui eu que te enviei, dispensei,
Escondo-me, mesmo sendo autora de tal obra
Devia conhecê-la, explicá-la, prevê-la...
Obra imprevisível, surpreendente, sábia,
Superadora do seu criador,
Surpreendeste-me com uma inimaginável falta de pudor...
Criei-te assim tão arrasadora?
Que avassalas com tanta ironia a tua própria autora...
Irónica, deformada, excessiva minha obra
Criei-te, eu mesma, assim sem ferramenta, totalmente ausente...
Criei-te descompensada, mal criada,
Parecendo forte, mas toda ela impotente.
Vera Silva
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